Saúde Mental em 2026: Ansiedade, TDAH, Burnout e o Que Está Acontecendo Conosco?

Nunca tivemos tanto acesso à informação. Nunca falamos tanto sobre saúde mental. E, ainda assim, nunca vimos tantas pessoas cansadas, ansiosas e no limite. O que mudou?

2/18/20263 min read

Nunca se falou tanto em saúde mental.
Nunca tivemos tanto conteúdo disponível.
E, ainda assim, a sensação coletiva é de cansaço, ansiedade e esgotamento.

O que está acontecendo?

Em um episódio especial do BPN Podcast, o médico psiquiatra Dr. Túlio Siano Rossini trouxe reflexões profundas sobre o impacto da pandemia, o aumento dos diagnósticos de TDAH, a cultura da alta performance e os desafios da ansiedade e da depressão no mundo moderno.

Este artigo reúne os principais pontos dessa conversa — com informação responsável e acessível.

O Impacto da Pandemia na Saúde Mental

Após 2020, houve um aumento significativo na procura por atendimento psiquiátrico. Estimativas apontam que:

  • A demanda por saúde mental cresceu cerca de 25%

  • Pacientes que já possuíam transtornos apresentaram piora significativa

  • Profissionais da saúde enfrentaram alto risco de estresse pós-traumático

O isolamento social, o medo da morte, a instabilidade econômica e a incerteza constante criaram um ambiente prolongado de estresse coletivo.

Mesmo após o fim das restrições, muitas pessoas ainda apresentam sintomas relacionados ao período pandêmico, como:

  • Estado de alerta constante

  • Medo excessivo de contaminação

  • Isolamento social persistente

  • Dificuldade de retomada da rotina

A cicatriz emocional permanece em parte da população.

Ansiedade: Quando Deixa de Ser Normal?

A ansiedade é um mecanismo natural de proteção.
Ela nos ajuda a:

  • Nos preparar para desafios

  • Evitar riscos

  • Planejar o futuro

No entanto, ela se torna um transtorno quando:

  • Causa sofrimento intenso

  • Compromete o funcionamento diário

  • Gera prejuízo profissional ou social

  • Provoca sintomas físicos recorrentes (taquicardia, sudorese, falta de ar)

Um ponto importante: antes de diagnosticar um transtorno de ansiedade, é fundamental descartar causas orgânicas. Alterações hormonais, por exemplo, podem gerar sintomas semelhantes.

Automedicação não é recomendada. O uso inadequado de medicamentos pode atrasar o diagnóstico correto e agravar quadros clínicos.

Burnout: Muito Além do Cansaço

Burnout é classificado pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional.

Ele é caracterizado por três pilares principais:

  1. Exaustão emocional persistente

  2. Distanciamento e cinismo em relação ao trabalho

  3. Queda de desempenho profissional

Diferente da depressão, o burnout tem “endereço”: está diretamente ligado ao ambiente de trabalho.

A cultura da alta performance, a glamorização do excesso de trabalho e a falta de pausas adequadas são fatores que contribuem para esse cenário.

Empresas que investem em prevenção, qualidade de vida e cumprimento das normas de saúde ocupacional tendem a apresentar menor índice de afastamentos e maior produtividade.

TDAH: Estamos Diagnosticando Melhor ou Exagerando?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento.

Isso significa que:

  • Ele se manifesta desde a infância

  • Os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos

  • Afeta diversas áreas da vida (não apenas atenção)

Não se trata apenas de desatenção. Envolve também:

  • Impulsividade

  • Dificuldade de planejamento

  • Problemas nas funções executivas

O aumento das discussões nas redes sociais gerou maior conscientização, mas também trouxe riscos de autodiagnóstico inadequado.

Importante: medicamentos utilizados para TDAH não melhoram desempenho cognitivo em pessoas que não possuem o transtorno e seu uso sem prescrição médica pode trazer prejuízos.

Diagnóstico deve sempre ser feito por profissional qualificado.

Depressão: Não É Apenas Tristeza

Tristeza é uma emoção normal e faz parte da experiência humana.

A depressão, por outro lado, envolve:

  • Perda de prazer (anedonia)

  • Desmotivação persistente

  • Alterações no sono e apetite

  • Pensamentos negativos recorrentes

  • Duração mínima de duas semanas com prejuízo funcional

Um dado relevante: muitas pessoas levam até 10 anos para buscar ajuda.

Quanto mais cedo o tratamento adequado é iniciado, melhores tendem a ser os resultados.

Sempre é necessário descartar causas orgânicas antes de confirmar o diagnóstico.

O Papel das Redes Sociais e das Telas

O uso excessivo de telas pode impactar negativamente a saúde mental.

Pesquisas indicam que:

  • A busca constante por estímulos rápidos pode aumentar ansiedade

  • A comparação social contínua pode afetar autoestima

  • O uso prolongado pode prejudicar o sono

O equilíbrio é essencial. Tecnologia não é vilã, mas o uso desregulado pode contribuir para sobrecarga mental.

Cinco Pilares Fundamentais para Proteger a Saúde Mental

Embora não exista fórmula mágica, alguns hábitos são consistentemente associados a melhor qualidade de vida emocional:

  1. Sono adequado (7–8 horas por noite)

  2. Prática regular de atividade física

  3. Alimentação equilibrada

  4. Relações sociais saudáveis

  5. Manejo consciente do estresse

Redução do consumo de álcool e outras substâncias também é recomendada.

Esses pilares não substituem tratamento quando necessário, mas fortalecem a base da saúde mental.

O Que Ainda Preocupa?

Apesar do avanço da informação, ainda existem desafios importantes:

  • Estigma e preconceito

  • Dificuldade de acesso a tratamento

  • Resistência, especialmente entre homens, em buscar ajuda

  • Sobrecarga do sistema público de saúde

Por outro lado, há avanços significativos:

  • Novas abordagens terapêuticas

  • Tratamentos mais seguros e eficazes

  • Maior conscientização social

Considerações Finais

Saúde mental não é luxo.
Não é fraqueza.
Não é falta de fé.
E não é frescura.

É parte essencial da qualidade de vida.

Se você identifica sinais persistentes de sofrimento emocional, buscar orientação profissional é um passo importante e responsável.

Conversar sobre o tema é o primeiro movimento para quebrar o estigma.

Porque evoluir emocionalmente também é ir para o próximo nível.

Assista o episódio completo: